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CRONOMETRIA DOMÉSTICA, 2026

Dois objetos destinados a organizar a vida cotidiana são deslocados de suas funções originais e transformam-se em uma metáfora visual sobre o tempo: aquilo que tentamos controlar, acelerar ou conter e que, no entanto, permanece irredutível à lógica dos nossos mecanismos.

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SÓ CARTAS DE AMOR, 2026

Um porta-cartas abriga suportes de armazenamento que já se tornaram obsoletos. Deslocados de sua função original, os disquetes transformam-se em uma metáfora daquilo que resiste ao tempo: os afetos, as lembranças e os vínculos que persistem para além das tecnologias. Nem toda carta é escrita em papel. Algumas continuam guardadas onde a memória encontra abrigo.

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ÂNGULOS DA MEMÓRIA, 2026

Cada monóculo guarda uma imagem; reunidos, deixam de preservar apenas fotografias e passam a representar diferentes formas de recordar. Orientados em múltiplas direções, revelam que toda memória depende do lugar de onde se olha. O passado não permanece imóvel. A cada novo olhar, ele encontra outro ângulo para existir.

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